terça-feira, 1 de setembro de 2009

VIII - Tu que m'escoltes amb certa por (XV)

O ambiente está aceso. O recital tem lugar no mesmo dia em que Franco passa os seus poderes ao príncipe João Carlos. Raimon sentou nas primeiras filas do recinto, repleto de gente e pressão, os representantes da Assembleia da Catalunha, que reúne todas as forças políticas que luta pelas liberdades democráticas e nacionais: Pere Ardiaca, Joan Armet, Josep Benet, Jordi Carbonell, Joan Cornudella, Paco Frutos, Raimon Obiols, Jordi Pujol, Joan Reventós, Miquel Roca Junyent, Joan Colomines, Josep Solé Barberà, Jordi Solé Tura, Lluís M. Xirinacs... Também estão os advogados do fuzilado "Txiki", Marc Palmés e Magda Oranich. Agitam-se bandeiras, gritam-se frases e os aplausos corroboram os versos tornados funcionalmente consigna. Quando canta "Jo vinc d'un silenci / antic i molt llarg, / de gent sense místics / ni grans capitans", uma voz do público grita com força: "Que morra!".
Dez mil pessoas aplaudem.


No intervalo, apagam-se as luzes, acendem-se isqueiros e lanternas enquanto se lê um comunicado da Assembleia da Catalunha e se distribuem panfletos. A polícia não o pode permitir, entra no camarim e pede a Raimon para que suspenda o recital. Raimon arrisca alto: "O governador responsabilizou-me e tenho a sua permissão e a sua palavra. Sei até onde posso ir. Se o interromper será pior, verão". Funciona. Êxito de massas, de convocatória e de concentração, que vai parar à Assembleia da Catalunha, através de Xavier Folch, contacto habitual do mundo intelectual com o órgão unitário. A Assembleia tinha usado "Diguem no" como slogan na sua campanha "contra a ilegalidade fascista", promulgada por acordo da sua Comissão Permanente, no dia 12 de Novembro de 1972.

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