domingo, 23 de setembro de 2007

Ouvindo Beethoven

Manuel Freire - Pedra Filosofal
Pedra Filosofal - 1993 (reed.)

Acho que à canção de hoje pouco podemos acrescentar. Deixo apenas a crítica à reedição do disco "Pedra Filosofal", disco originalmente editado em 1970. A reedição, cuja capa aqui reproduzimos, de 1993, que foi apenas passado - directamente! - do vinil para cd. Não merecia. Nem o Manuel, nem o Saramago, autor deste poema, nem a cultura portuguesa.


Venham leis e homens de balanças
Mandamentos d'aquém e d'além mundo.
Venham ordens, decretos e vinganças
Desça em nós o juízo até ao fundo.

Nos cruzamentos todos da cidade
A luz vermelha brilhe inquisidora
Risquem no chão os dentes da vaidade
E mandem que os lavemos a vassoura

A quantas mãos existam peçam dedos
Para sujar nas fichas dos arquivos
Não respeitem mistérios nem segredos
Que é natural os homens serem esquivos

Ponham livros de ponto em toda a parte
Relógios a marcar a hora exacta.
Não aceitem nem queiram outra arte
Que a prosa do registo, verso acta.

Mas quando nos julgarem bem seguros,
Cercados de bastões e fortalezas,
Hão-de ruir em estrondo os altos muros
E chegará o dia das surpresas.

2 comentários:

Anónimo disse...

BOA TARDE.

JOSÉ SARAMAGO, COMO BOM COMUNISTA DEIXOU CLARO NESTE POEMA, SEU DESCONTAMENTO COM O PÉRFIDO MUNDO.
ONDE ESTIVERES JOSÉ, LEMBRAREI DE TI.

ADELSON

Eduardo F. disse...

"E chegará o dia das surpresas!"

Obrigado, amigo Adelson.

Abraço desde Braga.
:)