sábado, 16 de junho de 2007

La Matança del Porc

Para hoje, uma canção duríssima. Dura mas engraçada. O que se descreve é uma prática muito nossa conhecida. Mas para o que se alude é para outra coisa. Escrita para o álbum "Triat i Garbellat", de 1971, por um dos meus cantores catalães preferidos. O seu nome é Pi de la Serra e as suas letras são do melhor que há em ironia e causticidade. Desde 62 a gravar, lançou há semanas o seu último disco, "Tot".




Avui és la diada de matar el porc / Hoje é dia de matar o porco
que em anat engreixant des de fa massa anys / Que temos vindo a engordar há já muitos anos
amb llet de la més bona, amb tomaquets de l'hort, / Com leite do melhor, com tomates da horta,
amb la millor farina, patates i ous. / Com a melhor farinha, batatas e ovos.

La porca està trista i nosaltres contents, / A porca está triste e nós contentes,
ja no passarem gana per un quant temps, / Já não passaremos fome por algum tempo,
ja no passarem gana per un quant temps. / Já não passaremos fome por algum tempo.

Poseu-hi unes graelles i un bon suport, / Ponde umas grelhas e um bom suporte
feu una gran foguera d'alzina i pi, / Fazei uma grande fogueira de azinheira e pinho,
rustiu-lo i xisclarà, senyal que no és ben mort, / Queimai-o e guinchará, sinal de que ainda não está bem morto,
afanyeu-se que bufa vent de garbí. / Assegurai-vos que sopre vento de sudoeste.

Quan no li quedi un pèl, feu-li un gran tall al coll, / Quando não lhe restar um pêlo, dai-lhe um grande golpe no pescoço,
i amb la sang que li ragi n'ompliu un doll, / e com o sangue que jorrar enchei (uma malga?),

i amb la sang que li ragi n'ompliu un doll. / e com o sangue que jorrar enchei (...)

Puix ja de panxa en l'aire el col·loqueu, / Então, colocai-o de pança prò ar,
amb la daga més fina obriu-lo en canal, / Com a faca mais afiada abri-lhe em rego,
netegeu-li els budells i tot el que hi trobeu, / Limpai-o dos miúdos e de tudo o que encontrardes
talleu la carn rosada i poseu-la en sal. / Cortai a carne rósea e ponde-lhe sal.

La porca està plorant, nosaltres rient, / A porca está a chorar, e nós a rir
ens menjarem la llengua del seu parent, / Vamos comer a língua do seu companheiro,
ens menjarem la llengua del seu parent. / Vamos comer a língua do seu companheiro.

Demà hi haurà bon tall, s'ha acabat la fam, / Amanhã haverá boa carne, acabou-se a fome,
demà passat fuet i després pernil, / Amanhã será chouriço depois presunto,
i quan s'acabi el porc hi passarà la porca / E quando se acabar o porco, será a vez da porca
i després els garrins i tots els porcs del món. / E depois os leitõezinhos e todos os porcos do mundo.

Avui és la diada de matar el porc. / Hoje é o dia de matar o porco.
És la diada de matar el porc. / É o dia de matar o porco.
Matar el porc. / Matar o porco.

2 comentários:

Helena disse...

:(
incrível como o humor e o sério se casam neste cantar do povo (ou foi o pi que a escreveu?...



Há muitos anos, numa festa para o jornal da gazeta (que estava na iminência de fechar), participei cantando à capela uma das canções do sem açúcar, o "como se eu fosse tua", (os rapazes da salada de frutas estavam virados para outras prioridades, e era uma borla, claro está)

o pi estava presente, viu-me cantar sozinha naquele grande palco do pavilhão da tapadinha, em alcântara, e quando voltei aos bastidores disse-me "eres muy valiente"
e deu-me um beijinho ao de leve nos lábios
:)

Eduardo F. disse...

Que bonito, Lena.
:)

Pi de la Serra é uma pessoa espantosa.
Sim, a letra é dele. Mas a tua observação demonstra que, tal como as canções do Zeca, imbuídas dessa carga cultural popular, poderia ser de autor "anónimo".

Muito obrigado pelo teu comentário.