quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

VIII - Tu que m'escoltes amb certa por (XXII)

Raimon vai a Madrid. Franco já morreu e as organizações unitárias da oposição mobilizam-se. Em Espanha são a Junta Democrática, que gira em torno do PCE e das CCOO, e a Plataforma de Convergência Democrática, movida pelo PSOE e pela UGT. Acabarão por se unir, no fim, sob o nome popular Platajunta. Raimon assegura também aos seus representantes as primeiras filas: Felipe González, Marcelino Camacho, Fernando Álvarez de Miranda, Joaquín Garrigues Walker, Simón Sánchez Montero, Josep Melià, Francisco Fernández Ordóñez, Nicolás Redondo, Joaquín Ruiz Giménez, Nicolás Sartorius, entre eles, e ao lado de intelectuais e artistas como agora Gabriel Celaya, José Hierro, José Luis García Berlanga, Jaume Camino, Juan Antonio Bardem, Adolfo Marsillach, Carmen Martín Gaite e Antonio Saura. Escolhe as instalações desportivas do Real Madrid - impossível despistar melhor que no território de Don Santiago Bernabéu - e os dias 5, 6 8 e 9 de Fevereiro de 1976. Mas apenas fará uma actuação. A Direcção Geral de Segurança, às ordens de Manuel Fraga Iribarne, encarregado da pasta do Ministério do Interior, emite esta nota:

Às 22:30 horas do dia 5 do corrente, e na Cidade Desportiva do Real Madrid, deu início o "Festival Raimon" com uma assistência de umas seis mil pessoas, que ocupavam os lugares das bancadas e da pista, além dos corredores e acessos, dificultando a deslocação do público até aos seus lugares.
Desde o começo, o acto converteu-se numa autêntica manifestação política, com exibição de punhos fechados e gritos tais como "Dolores Ibárruri a Madrid", "Carrillo", "Amnistia", "Liberdade" e outros. Ao mesmo tempo, soltaram-se bandeiras vermelhas, tanto entre o público como no próprio palco, sendo a sua aparição acolhida com gritos e palavras de adesão.
Posteriormente, no cenário expôs-se uma bandeira com as cores anarquistas, e proferiram-se frases injuriosas contra Sua Majestade o Rei do Juan Carlos I, e ataques verbais contra a polícia.
Às 00:15 terminou o encontro, abandonando os assistentes o local, não se produzindo incidentes nem manifestações.
Face a estas lamentáveis circunstâncias, foi suspendido o recital anunciado para o dia de hoje e denegada a prorrogação para os próximos dias 8 e 9.


Raimon, no encontro, fez o seguinte programa:
- La nit
- Só qui só
- Qui ja ho sap tot
- El País Basc
- Al vent
- Sobre la pau
- Contra la por
- T'adones, amic
- T'he conegut sempre igual
- Inici de càntic
- Jo vinc d'un silenci
- Quatre rius de sang
- Es veu
- 18 de Maig a la Villa
- Indesinenter
- La muntanya es fa vella
- Quan jo vaig nàixer
- Cançó del remordiment
- D'un temps, d'un país
- Sobre la por
e
- Diguem no.

Três bises e um novo "Diguem no" em versão hino, cantada por mais de cinco mil espectadores.
Raimon reúne a multitudinária representação jornalística, local de enviados especiais de todo o lado, como assinala um deles, um excepcional cronista, nem mais nem menos que Joan Fuster, e recusa duramente a continuidade franquista que faz ver que avança para a Democracia - Adolfo Suárez não tinha sido nomeado presidente- mantendo ainda 2 mil presos políticos: "Não me deixam cantar, e uma democracia afónica é algo muito triste."

1 comentário:

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