
Duas fotos do recital de Raimon no IQS(imagens retiradas, respectivamente, do livro "Raimon - l'Art de la Memòria", de David Escamilla
e do Lp "Cançons de la roda del temps")
Raimon canta as "canções de luta" que em Espanha lhe proíbem ou censuram, recria novamente um cenário de reunião tipicamente político, onde o orador transmite mensagens que o público cúmplice consensualiza com o aplauso que interrompe a canção - feito inverosímil na música, que só se explica pela vontade política -, e procura frases que situem na luta as canções, para fechar o ciclo do compromisso.
É o caso da dedicatória de "Inici de càntic" aos universitários, intelectuais e artistas que se encerraram no convento dos Caputxins de Sarrià, em 9 de Março do ano lectivo de 1966, para constituir o Sindicato Democrático dos Estudantes da Universidade de Barcelona (SDEUB), que provocou um mal-estar ao franquismo. Salvador Espriu, autor da letra da canção, era um dos barricados e, como todos, detido e represaliado.
Eu não sou um homem político - confessa Raimon -, apesar do que muita gente quis fazer de mim, mas sou, sim, cidadão de consciência política, sei que existem problemas colectivos. Então, desde o meu ponto de vista e com as minhas canções, tentei sempre pôr a minha actividade ao serviço, em primeiro, da luta contra a ditadura, e depois, a favor da solidariedade, do lado dos oprimidos. Com todas as minhas canções, até com os poemas de Ausiàs March.












