sábado, 25 de agosto de 2007

Sei que me Esperas

Luís Cília - Contra a ideia da violência a violência da ideia

Contra a Ideia da Violência, a Violência da Ideia (1973)


O blogue A Cantiga foi uma Arma não tem o objectivo dos média: fazer tábua rasa do passado, na busca da desmemória completa e da desorientação que nos leva ao alheamento que nos põe a "funcionar mesmo bem".

Por isso, hoje temos por cá o Luís Cília. Se os média já o desprezam, porque haveríamos ter comportamento semelhante?


Sei que me esperas

Sei que me esperas lutas e confias
na minha voz subterrânea de combate
na força dos meus gritos de rebate
na coragem das minhas agonias

Sei que me esperas nas ruas ou vielas,
nas aldeias, no mar ou nas cidades,
em todos os lugares em que haja celas,
olhos petrificados de ansiedades

Anda comigo, vou falar da esperança
da vida que ainda agora principia
Perde essa amarga e vã desconfiança
toma a minha mão de amigo e confia

Anda comigo, eu canto as tuas dores
sou mais poeta sendo teu irmão
nesta densa floresta sem flores
o sangue e a alma são o mesmo pão

Quando as verdades forem as que amamos
no silêncio do nosso pensamento
e a força que nos guia o movimento
ganhar a paz que tanto desejamos

Quando rufarem todos os tambores
Anunciando a grande cavalgada
e os heróis coroados de flores
cantarem a vitória desejada

Vamos colher o trigo semeado
cantar a vida pelos campos fora
A pouco e pouco vai nascer a aurora
e é muito urgente estarmos lado a lado

domingo, 19 de agosto de 2007

Cantiga para Quem Sonha

Luís Goes - Canções de Amor e de Esperança

Lp Canções de Amor e Esperança (1971)
(quem tiver uma capa a cores, escreva uma mensagem)


Para hoje, um grande cantor - talvez o maior cantor de fado de Coimbra vivo: Luís Goes. Esta "Cantiga para Quem Sonha" está incluída no seu álbum "Canções de Amor e Esperança", de 1971. Trata-se de uma bela melodia. Será que já não se conseguem fazer canções assim?


Tu que tens dez reis de esperança e de amor
grita bem alto que queres viver.
Compra pão e vinho, mas rouba uma flor.
Tudo o que é belo não é de vender

Não vendem ondas do mar
nem brisa ou estrelas, só a lua cheia
Não vendem moças de amar
nem certas janelas em dunas de areia.

Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio,
nem é preciso que saiba cantar.

Tu que crês num mundo maior e melhor
grita bem alto que o céu está aqui.
Tu que vês irmãos, só irmãos em redor,
Crê que esse mundo começa por ti.

Traz uma viola, um poema,
um passo de dança, um sonho maduro.
Canta glosando este tema,
Em cada criança há um homem puro.

Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio,
nem é preciso que saiba cantar.

domingo, 12 de agosto de 2007

Tourada


Simples com a canção que Tordo levou ao Festival da Canção, em 1973.


Grande, heróico e satírico poema de José Carlos Ary dos Santos interpretado pelo seu grande amigo Fernando Tordo.



Tourada


Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.

E diz o inteligente
que acabaram as canções.

domingo, 5 de agosto de 2007

Què volen aquesta gent?

Què volen aquesta gent, Epê de 1968 (Ed. Concéntric)


Baseada em factos reais e frequentes, este texto de Lluís Serrahima musicado pela maiorquina María del Mar Bonet, uma das maiores vozes femininas de todos os tempos na música folk, descreve as incursões nocturnas da polícia política, irrompendo casas adentro, num clima de terror que também por cá muitos sentiram. O estudante lança-se da janela para escapar à tortura.
A ditadura e a opressão não conhece fronteiras.


De matinada han trucat, / De madrugada bateram (à porta)
són al replà de l'escala; / Estão no começo das escadas
la mare quan surt a obrir / A mãe quando vai abrir
porta la bata posada. / Está de roupão

Què volen aquesta gent / Que quer esta gente
que truquen de matinada? / Que bate à porta de madrugada?

"El seu fill, que no és aquí?" / "O seu filho, não está aqui?"
"N'és adormit a la cambra. / "Está a dormir na cama.
Què li volen al meu fill?" / Que querem do meu filho?"
El fill mig es desvetllava. / O filho acordava.

Què volen aquesta gent / Que quer esta gente
que truquen de matinada? / Que bate à porta de madrugada?

La mare ben poc en sap, / A mãe sabe muito pouco
de totes les esperances / de todas as aspirações
del seu fill estudiant, / do seu filho estudante
que ben compromès n'estava. / Que tão comprometido estava

Què volen aquesta gent / Que quer esta gente
que truquen de matinada? / Que bate à porta de madrugada?

Dies fa que parla poc / Faz dias que fala pouco
i cada nit s'agitava. / E cada dia estremecia
Li venia un tremolor / Vinha-lhe um tremor
tement un truc a trenc d'alba. / Temendo uma chamada ao romper d'alvorada.

Què volen aquesta gent / Que quer esta gente
que truquen de matinada? / Que bate à porta de madrugada?

Encara no ben despert / Ainda não completamente desperto
ja sent viva la trucada, / Já sente bem forte a batida
i es llença pel finestral, / E lança-se pela janela
a l'asfalt d'una volada. / Ao asfalto de um voo.

Què volen aquesta gent / Que quer esta gente
que truquen de matinada? / Que bate à porta de madrugada?

Els que truquen resten muts, / Os que batem permanecem calados
menys un d'ells, potser el que mana, / Menos um deles, talvez o que manda,
que s'inclina pel finestral. / Que se inclina da janela.
Darrere xiscla la mare. / Atrás a mãe grita.

Què volen aquesta gent / Que quer esta gente
que truquen de matinada? / Que bate à porta de madrugada?

De matinada han trucat, / De madrugada bateram
la llei una hora assenyala. / A hora assinala a lei.
Ara l'estudiant és mort, / Agora o estudante está morto,
n'és mort d'un truc a trenc d'alba. / Morreu de uma batida ao romper d'alvorada.

Què volen aquesta gent / Que quer esta gente
que truquen de matinada? / Que bate à porta de madrugada?

sábado, 28 de julho de 2007

Te recuerdo, Amanda

Single de 1969, com as canções "Plegaria a un labrador" e "Te recuerdo, Amanda"

Para hoje, um dos maiores cantores, Víctor Jara. Não devemos esquecer o que lhe fizeram. Nem os responsáveis, nem seus ajudantes. Em nome da "democracia".
Um tema em que o amor e a luta se unem. Em 1974, Raimon gravou-a em catalão, no seu disco "A Victor Jara".


Te recuerdo, Amanda, / Et recorde Amanda
la calle mojada, / els carrers mullant-se
corriendo a la fábrica / anant a la fàbrica
donde trabajaba Manuel. / allà on treballava Manuel.

La sonrisa ancha, / El somriure ample
la lluvia en el pelo, / la pluja a la cara
no importaba nada, / res no t'importava
ibas a encontarte con él. / perquè et trobaries

Con él, con él, con él, con él. / Amb ell, amb ell, amb ell.
Son cinco minutos. / Només una estona,
La vida es eterna en cinco minutos. / la vida és eterna en aquesta estona.
Suena la sirena. / Sona la sirena.
De vuelta al trabajo / Torna a la faena
y tœ caminando lo iluminas todo, / i tu caminaves tot ho il·luminaves
los cinco minutos te hacen florecer. / i la curta estona et va fer florir.

Te recuerdo, Amanda, / Et recorde Amanda
la calle mojada, / els carrers mullant-se
corriendo a la fábrica / anant a la fàbrica
donde trabajaba Manuel. / allà on treballava Manuel.

La sonrisa ancha, / El somriure ample
la lluvia en el pelo, / la pluja a la cara
no importaba nada, / res no t'importava
ibas a encontarte con él. / perquè et trobaries

Con él, con él, con él, con él. / Amb ell, amb ell, amb ell.
que partió a la sierra, / que marxà a la serra
que nunca hizo daño. / que gens de mal feia.
Que partió a la sierra, / que marxà a la serra,
y en cinco minutos quedó destrozado. / i en ben poca estona ells el destrossaren
Suena la sirena, / Sona la sirena
de vuelta al trabajo / torna a la faena,
muchos no volvieron, / molts no tornaren,
tampoco Manuel. / tampoc el Manuel.

Te recuerdo, Amanda, / Et recorde Amanda
la calle mojada, / els carrers mullant-se
corriendo a la fábrica / anant a la fàbrica
donde trabajaba Manuel. / allà on treballava Manuel.

domingo, 22 de julho de 2007

Canção da Cidade Nova

Lp "Canções da Cidade Nova", 1970


Esta canção, tão triste e tão bonita ao mesmo tempo, é daquelas que dificilmente nos deixam apáticos. Da autoria de Fernando Melro, baseada na Bíblia, vem para nos reafirmar que a esperança será sempre um fiel companheiro na luta pela liberdade e pela justiça. Está incluída no único álbum de Francisco Fanhais, que ainda hoje a canta, com a mesma frescura de voz e actualidade do tema que tinha quando a registou.


Ó navegante do mar do medo
Ouve um instante o meu segredo,
Ó caminhante da noite fria
Ouve um instante minha alegria:

Ao longe longe já aparece
Uma cidade que resplandece
Ao longe longe o sol já vem
Eu já alcanço Jerusalém.

Virá o pobre do mundo inteiro
Há pão que sobre e sem dinheiro
Há pão e vinho em abundância
E o seu caminho é sem distância

Não tem distância esta cidade
Senão o medo que nos invade
Cantai comigo que o sol já vem
Eu já alcanço Jerusalém

Se o mundo cança de tanta guerra
Uma criança nasceu na terra
Um dia novo ela nos traz
Dará ao povo a flor da paz

Surgi depressa que não é cedo
Cantai comigo irmãos do medo
Cantai comigo que o sol já vem
Eu já alcanço Jerusalém

Hoje um menino venceu a morte
Nasceu franzino mas é Deus forte
Será chamado Emanuel
E sustentado de leite e mel

De longe chegam os povos
Vindo à procura de tempos novos
Cantai comigo que o sol já vem
Eu já alcanço Jerusalém

sábado, 14 de julho de 2007

La poesía es un arma cargada de futuro

Paco 2 (1967)

Eis talvez o texto com que poderíamos ter começado este blogue.
Gabriel Celaya verteu-o assim, em 1955, num tempo de acordar. Paco Ibañez, talvez o maior trovador vivo, musicou o poema e gravou-o em 1967, logo a começar o seu segundo álbum.
Penso que não é preciso traduzir, pois a sua grande riqueza poética é visceral - não precisa de traduções.


Cuando ya nada se espera personalmente exaltante,
más se palpita y se sigue más acá de la conciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmando,
como un pulso que golpea las tinieblas,
que golpea las tinieblas.

Cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades;
las bárbaras, terribles, amorosas crueldades,
amorosas crueldades.

Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto,
para ser y en tanto somos, dar un sí que glorifica.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno.
Estamos tocando el fondo, estamos tocando el fondo.

Maldigo la poesía concebida como un lujo,
cultural por los neutrales, que lavándose las manos
se desentienden y evaden.
Maldigo la poesía de quien no toma partido,
partido hasta mancharse.


Hago mías las faltas. Siento en mí a cuantos sufren.
Y canto respirando. Canto y canto y cantando
más allá de mis penas,
de mis penas personales, me ensancho,
me ensancho.

Quiero daros vida, provocar nuevos actos,
y calculo por eso, con técnica, que puedo.
Me siento un ingeniero del verso y un obrero
que trabaja con otros a España,
a España en sus aceros.

No es una poesía gota a gota pensada.
No es un bello producto. No es un fruto perfecto.
Es lo más necesario: lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno.
Estamos tocando el fondo, estamos tocando el fondo.

sábado, 7 de julho de 2007

Prá Não Dizer que Não Falei das Flores (Caminhando)

Compilação homónima (edição portuguesa), lançada em 1980, com a tema de hoje (ao vivo e em estúdio)

Geraldo Vandré tem uma canção que é um sempiterno hino pacifista. Esta canção foi primeiramente gravada no Estádio do Maracanã, em 1968 (mas proibida pelo regime, pelo que só foi editada 12 anos mais tarde). Francisco Fanhais chegou a gravá-la ao vivo, no disco República (disco conjunto com José Afonso editado apenas em Itália, dificílimo de encontrar).


Caminhando e cantando e seguindo a canção,
Somos todos iguais braços dados ou não,
Nas escolas, nas ruas, campos, construções,
Caminhando e cantado e seguindo a canção

[refrão]
Vem, vamos embora que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer,

Pelos campos há fome em grandes plantações,
Pelas ruas marchando indecisos cordões,
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão,
E acreditam nas flores vencendo o canhão.

Vem, vamos embora que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer,

Há soldados armados, amados ou não,
Quase todos perdidos de armas na mão,
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição:
De morrer pela pátria e viver sem razão,

Vem, vamos embora que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer,

Nas escolas, nas ruas, campos, construções,
Somos todos soldados, armados ou não,
Caminhando e cantando e seguindo a canção,
Somos todos iguais, braços dados ou não.

Os amores na mente, as flores no chão,
A certeza na frente, a história na mão,
Caminhando e cantando e seguindo a canção,
Aprendendo e ensinando uma nova lição:

Vem, vamos embora que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

sábado, 30 de junho de 2007

Dona Abastança



O disco "Que Nunca Mais", com produção e arranjos de Fausto e poemas do escitor alentejano Manuel da Fonseca, foi lançado em 1975, expressando ainda a opressão do 24 de Abril. A hiprocisia, essa, continua.

"(...) a caridade, que para nós, por uso que as senhoras piedosas têm feito da palavra, tomou um significado muito diferente daquele que a palavra tem. Ter caridade para com uma pessoa não significa, como em geral pensam as pessoas, ajudá-la a viver com aquilo que nos sobra a nós. Caridade significa ver no outro a graça, charis, que está oculta pela sua miséria, pela sua falta de educação, pela sua deformidade física mesmo. O homem caridoso com o aleijado é aquele que vê nele a graça que podia tê-lo feito um magnífico atleta, se a sua sorte ou se as suas condições de vida não o tivessem levado a ser apenas um fragmento de gente. E o homem que vê no miserável, no desgraçado que pede esmola ou naquele que leva uma vida miserável, a charis interior, a graça com que ele nasceu e que perdeu vivendo - isso é que é a caridade."

Agostinho da Silva, in Vida Conversável (Ed. Assírio e Alvim, 1994)


"A caridade é amor"
Proclama Dona Abastança,
Esposa de um comendador,
Senhor da alta finança

Família necessitada
A boa senhora acode
Pouco a uns
A outros, nada
"Dar a todos não se pode!"

Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado


[refrão x2]
Já se deixa ver
que não pode ser
Quem dá o que tem
Um dia há-de vir bem

O bem da bolsa lhes sai
Sai caro fazer o bem
Ela dá, ele subtrai
Fazem como lhes convém

Ela aos pobres dá uns cobres
Ele (...) lá vai
Com o que tira a quem roubou
Fazendo mais e mais pobres

Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado

Ao engano sempre novo
De tão estranha caridade
Pôr o dinheiro do povo
Contra o povo da cidade

sábado, 16 de junho de 2007

La Matança del Porc

Para hoje, uma canção duríssima. Dura mas engraçada. O que se descreve é uma prática muito nossa conhecida. Mas para o que se alude é para outra coisa. Escrita para o álbum "Triat i Garbellat", de 1971, por um dos meus cantores catalães preferidos. O seu nome é Pi de la Serra e as suas letras são do melhor que há em ironia e causticidade. Desde 62 a gravar, lançou há semanas o seu último disco, "Tot".




Avui és la diada de matar el porc / Hoje é dia de matar o porco
que em anat engreixant des de fa massa anys / Que temos vindo a engordar há já muitos anos
amb llet de la més bona, amb tomaquets de l'hort, / Com leite do melhor, com tomates da horta,
amb la millor farina, patates i ous. / Com a melhor farinha, batatas e ovos.

La porca està trista i nosaltres contents, / A porca está triste e nós contentes,
ja no passarem gana per un quant temps, / Já não passaremos fome por algum tempo,
ja no passarem gana per un quant temps. / Já não passaremos fome por algum tempo.

Poseu-hi unes graelles i un bon suport, / Ponde umas grelhas e um bom suporte
feu una gran foguera d'alzina i pi, / Fazei uma grande fogueira de azinheira e pinho,
rustiu-lo i xisclarà, senyal que no és ben mort, / Queimai-o e guinchará, sinal de que ainda não está bem morto,
afanyeu-se que bufa vent de garbí. / Assegurai-vos que sopre vento de sudoeste.

Quan no li quedi un pèl, feu-li un gran tall al coll, / Quando não lhe restar um pêlo, dai-lhe um grande golpe no pescoço,
i amb la sang que li ragi n'ompliu un doll, / e com o sangue que jorrar enchei (uma malga?),

i amb la sang que li ragi n'ompliu un doll. / e com o sangue que jorrar enchei (...)

Puix ja de panxa en l'aire el col·loqueu, / Então, colocai-o de pança prò ar,
amb la daga més fina obriu-lo en canal, / Com a faca mais afiada abri-lhe em rego,
netegeu-li els budells i tot el que hi trobeu, / Limpai-o dos miúdos e de tudo o que encontrardes
talleu la carn rosada i poseu-la en sal. / Cortai a carne rósea e ponde-lhe sal.

La porca està plorant, nosaltres rient, / A porca está a chorar, e nós a rir
ens menjarem la llengua del seu parent, / Vamos comer a língua do seu companheiro,
ens menjarem la llengua del seu parent. / Vamos comer a língua do seu companheiro.

Demà hi haurà bon tall, s'ha acabat la fam, / Amanhã haverá boa carne, acabou-se a fome,
demà passat fuet i després pernil, / Amanhã será chouriço depois presunto,
i quan s'acabi el porc hi passarà la porca / E quando se acabar o porco, será a vez da porca
i després els garrins i tots els porcs del món. / E depois os leitõezinhos e todos os porcos do mundo.

Avui és la diada de matar el porc. / Hoje é o dia de matar o porco.
És la diada de matar el porc. / É o dia de matar o porco.
Matar el porc. / Matar o porco.

sábado, 9 de junho de 2007

Tiro-no-Liro

Para hoje, proponho a todos que meditemos numa das mais lúcidas, bem conseguidas e aparentemente inocentes letras escritas na língua de José Afonso. É a canção Tiro-no-Liro, da autoria do grande José Mário Branco. Encontra-se no álbum de 85, "A Noite".


Reparem só na quantidade de trocadilhos e assonâncias! Isto, sim, é dar-nos uma lição de língua! A nós, que a vamos descarnando quotidianamente...



Na zoologia do fala-só
Há muitos animais de tiro
Há o tiro-liro-liro e não só
Também o tiro-liro-ló.

Seja no liro-liro ou liro-ló
O tiro-liro leva tiro
Que é o mesmo que três liros e um ló
Feridos por um tiro só

(refrão)
Quem dá o tiro no liro
Vai prò chilindró
Quem dá o tiro no ló
Anda de pó-pó

Lá em cima está o tiro-liro-liro
Cá em baixo o tiro-liro-ló

Mas o liro que eu prefiro é o ló
Que ao liro-liro tira o tiro
Pois enquanto o ló transpira no pó
O liro tira o pão do ló

Há-de vir o dia em que o liro-ló
Será igual ao liro-liro
Com a concertina e o sol-e-dó
Unidos por um tiro só

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Lluí­s Llach al Camp Nou - Abril 74

L'estaca



Lluís Llach al Camp Nou 1985 -

sábado, 2 de junho de 2007

El Cobarde

Um dos singles com a canção de hoje (1970)

Para hoje, tenho o enorme prazer de partilhar convosco uma canção de um disco belíssimo e que infelizmente não está acessível (em formato cd). O disco é o primeiro longa-duração do cantor asturiano Víctor Manuel, datado de 1970, que recolhe esta e outras canções.
Um desses temas é, então, "El Cobarde", cuja letra vos deixo.


El Cobarde

Vivo en mi pueblo pequeño
Le fé, la alegría, la paz del hogar,
hay una niña morena
que tras el trabajo me llena de paz,
Hay una ermita en el monte
que todas las tardes escucho cantar
y aquel arroyo tan claro
que riega los campos que son nuestro pan.

Era la tarde un suspiro
y aquellos soldados llegaron acá
“Quietos los niños y viejos.
La gente más joven tendrá que luchar!”
Tiembla el fusil en mi mano
cerrando los ojos disparo al azar
Bala perdida que mata
a cualquier inocente con ansia de paz.

¿Por quién lucho yo
Si en mi corta vida no existe el rencor?
¿Por quién lucho yo
Que vivo la vida con fé y con amor?

Juan, debes de callar!
Esto es una guerra no lo has de olvidar.
Juan, trata de olvidar
aquella muchacha, la paz del hogar.

Llegan los años de cárcel
yo soy un cobarde, no quiero matar.
Dicen que nuestros soldados
ganaron la guerra, renace la paz
Vuelvo a mi pueblo pequeño
la gente sonrie, murmura al pasar
“Mira aquel joven cobarde
que vuelve la espalda en vez de luchar”

Dejo con pena las cosas
Que fui levantando y solo sin más
Vivo aquí arriba en el monte
soñando que un día pueda regresar.

sábado, 26 de maio de 2007

Abril 74

Por alturas de Viatge a Itaca, o álbum mais vendido em Espanha no ano de 75.


Enquanto em Espanha ainda se penava, os que podiam vinham a Portugal respirar.
Lluís Llach, importantíssimo cantor catalão, foi um deles.
Em Lisboa, compôs esta canção:



Abril 74

Companys, / Companheiros,
si sabeu on dorm la lluna blanca, / se sabeis onde dorme a nuvem branca
digueu-li que la vull / Dizei-lhe que a quero
però no puc anar a estimar-la, / Mas não posso ir amá-la
que encara hi ha combat. / Porque aqui ainda há combate.

Companys, / Companheiros,
si coneixeu el cau de la sirena, / se conheceis o canto da sereia,
allà enmig de la mar, / Lá, no meio do mar
jo l'aniria a veure, / Eu iria vê-la
però encara hi ha combat. / Mas aqui ainda há combate.

I si un trist atzar m'atura i caic a terra, / E se um triste azar me barra e caio por terra
porteu tots els meus cants / Levai todos os meus cantos
i un ram de flors vermelles / E um ramo de flores vermelhas
a qui tant he estimat, / A quem tanto amei,
si guanyem el combat. / Se ganharmos o combate.

Companys, / Companheiros,
si enyoreu les primaveres lliures, / se desejais as primaveras livres
amb vosaltres vull anar, / Quero ir convosco
que per poder-les viure / Que para poder vivê-las
jo me n'he fet soldat. / Me fiz soldado.

I si un trist atzar m'atura i caic a terra, / E se um triste azar me barra e caio por terra
porteu tots els meus cants / Levai todos os meus cantos
i un ram de flors vermelles / E um ramo de flores vermelhas
a qui tant he estimat, / A quem tanto amei,
quan guanyem el combat. / Quando ganharmos o combate.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Poetas Andaluces

Disco de 1975 - Poetas Andaluces de Ahora


Poema de um Andaluz, Rafael Alberti, interpretado pelo por cá muito conhecido grupo Aguaviva.


¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero donde están los hombres?
con ojos de hombre miran, ¿pero donde los hombres?
con pecho de hombre sienten, ¿pero donde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.

¿Es que ya Andalucia se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Qué en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quién mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oireis que oyen otros oidos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabreis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
encerrado. su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

terça-feira, 24 de abril de 2007

sexta-feira, 20 de abril de 2007

A Herdade do Vale Fanado



GAC - Grupo de Acção Cultural
pois canté!! - 1976

A Cantiga é Uma Arma



GAC - Grupo de Acção Cultural
letra e música: José Mário Branco
a cantiga é uma arma - 1975

Bella Ciao



música popular italiana,
adaptada por Adolfo Celdrán

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Eu vi Este Povo a Lutar



José Mário Branco
ser solidário - 1982

(esta é a versão final da música Hino da Confederação, que consta da banda sonora do filme A Confederação [Luís Galvão Teles - 1978].
Esta banda sonora é assinada por Fausto, Sérgio Godinho e José Mário Branco)